sábado, 21 de março de 2015

Desabafo - Carta a uma amiga após experiência em um trabalho...

Pois é, não foi nada fácil.
Seria fácil se o trabalho fosse dividido por mais cuidadores, mas pelos vistos, eles não querem pagar mais e por esta ordem, resolvem sacrificar dois seres humanos de cada vez. Mulheres apenas a carregar homens nos braços, lavá-los, limpá-los das borrações das suas necessidades fisiológicas, alimentá-los, deixá-los apresentáveis para a inspecção... 

Enquanto nós, os cuidadores... :-( o que dizer... quase mortos, mal alimentados, com sede. Não totalmente por impedirem, mas por não dar escolhas. Não há tempo! Há muito o que fazer! Muito o que fazer! Muito o que fazer!!

Trabalhei 3 dias com uma média de 10 horas seguidas sem descanso e 15 minutos de almoço, única hora que se pode sentar e "engolir" a comida. Nem lembro do que comi. Não assimilei.

Lamentável, desgastante, desmotivante, absurdo!
Não quero isso para mim. Não desejo a ninguém.

Deus deu-me um resultado de exame cardíaco que me salvou de tais maus tratos. Ontem fui buscar o resultado do ECG e o lá tem duas interrogações ao lado de uma frase que diz: necrose na parede inferior (ou interior (?),) ver história clínica. Não sei o que isso quer dizer, fui ler sobre algo e li que a primeira coisa que deve-se evitar é fazer esforços. Imagine, corria risco e não sabia :-(

Mas nada é por acaso. E possível  que por destino, eu tinha mesmo que sentir na pele a situação daquelas colegas que ali andam e das outras que já saíram por motivos de ruptura física, social , espiritual e psicológica.

É provável que eu tenha entrado no mestrado de psicologia da área organizacional para um dia vir a salvar esta situação insuportável para as pessoas que estão dedicadas a ajudar aos deficientes físicos e psíquicos.

Haverei de lutar!!!!
Não estarei parada. Continuarei a estudar e continuarei à procura de trabalho. A luta continua e sei que quando chegar ao meu último dia, como dizia o Pablo Neruda: Confesso que vivi!

Bem haja!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Corvos

Espantei com destreza os corvos que ensombravam o meu caminho.
Transformei-os em outros pássaros: pomba, águia e passarinho.
Ouvi os sons do piar, do bater das asas e arte de voar...
Segui-os com atenção. 
Aprendi que o poder que está em mim
Não tem apenas intenção. 
Tem muito mais do que isso:
Tem poder de decisão!
(J.K.Worm)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A morte da poesia

Uma mulher, uma cadeira de ferro,
Uma mesa de ferro, um chá açucarado,
Um livro aberto na mão.
Paris.

A chuva inunda o pátio.
Inunda a xícara.
Molha a mulher e o livro.

Se ela for embora,
O livro desaparecerá com ela,
O chá perderá o sabor com a chuva.
O chá não pertencerá a ninguém.

Se levarem o chá,
A vida da mulher perderá o sabor.
Ficará com a metade do prazer.

Se a chuva faz desaparecer as letras do livro,
Fugirão as lembranças da leitura.
Desaparecerá a vida da mulher.

Se a chuva parar de molhar,
A aventura cessará seus encantos
E a única coisa que a mulher poderá sentir
Será a cadeira de ferro e a mesa de ferro.
Sem chuva a poesia também morrerá.

Se não houver poesia,
Não haverá o que pensar.

(J.K.Worm)

sábado, 7 de abril de 2012

Sobre dores humanas

Não obstante, tenho passado as vistas por alguns blogs, sites e até mesmo murais de facebook, onde deparo-me com angustiosas imagens de atrocidades humanas. Não digo que as ignoro. Apenas lamento o mal estar que causa ao apresentador de tais notícias e daqueles que as introspecta e sofre. Assim como eu, que sinto a invasão de uma infinita tristeza da qual não consigo parar de pensar com alguma revolta sobre o que acabei de ler ou ver...

A pouco e pouco, faço como disse, "passo a vista". Não leio os comentário, nem fico olhando nenhuma imagem de dor com fixação. Não se brinca com o inconsciente. Terrores acontecem a toda hora e em todos os lugares. Não encontro razão para sermos mensageiros de dores alheias. Já nos basta o que nos toca a cada um.

Dos arrepios humanos que falo aqui, são sobre dores que desejava nunca ter sentido.

Joice Worm

sábado, 12 de novembro de 2011

Mudez

Não obstante, por parecer que esqueci deste espaço, os arrepios somam-se e custam a subtrair-se.
A insistente mania de ver o telejornal não dá tréguas à pele. Comentar para que?
Considero um arrepio de indignação tão absorvente e generalizado que admito que para muitos, a minha opinião está com a maioria.
São tantas e tão intensas as atitudes negativas e falta de humanidade visível, que o sofrimento deste coração que vos escreve, se reduz a mudez.
Joice Worm